Home Data de criação : 08/11/05 Última atualização : 11/10/17 16:38 / 4 Artigos publicados

Os municípios, o mercado eleitoral e o atraso cotidiano.  escrito em sábado 29 novembro 2008 15:45

Muitas vezes, muitas coisas que acontecem em nosso dia-a-dia sequer percebemos. Nem por isso elas deixam de acontecer. E mesmo acontecendo, não percebemos. Segundo a psicologia, nosso subconsciente capta os impulsos e acontecimentos, mas nem tudo cai para o processamento da consciência.

 

Da interpretação de João Ubaldo Ribeiro, em seu livro fantástico sobre a luxúria, intitulado A Casa dos Budas Ditosos, sabe-se que muitas coisas na vida acontecem em segredo. O político manipulador, age exatamente com ações que ganham legitimidade no segredo do nosso subconsciente. Ele atua no nosso subconsciente, praticando ações em segredo, através de palavras ambíguas e ações praticadas no escuro.

 

Manipular é uma atividade mal vista, mas praticada por todos, salvos os néscios e congêneres. Refere-se aqui às manipulações do dia-a-dia, aquelas que não fazem mal a ninguém, mas nos trazem ganhos diversos. Exemplo, um cidadão está com pressa para viajar, lembrou-se que esqueceu de levar uma sacola de bagulho da sua mãe para a casa de praia que ele se dirige, e ela do salão o liga perguntando se ele pegou TODAS as sacolas. Ela responde que sim, e depois quando ela chegar em casa saberá que ficaram a dos bagulhos.

 

Porém, os políticos manipulam de forma prejudicial. Manipulam a ordem, o desenvolvimento mental das pessoas, manipulam o nosso destino. Durante o processo eleitoral então... a coisa se revela aos olhares mais argutos. Facilmente percebe-se o quão manipuladores da legislação eles se tornam. E nesse momento, sempre aparece dinheiro para tudo, principalmente daqueles que estão no poder.

 

Grande parte das consciências dos cidadãos não percebem que, os dias que se intercalam de junho a agosto de um ano eleitoral para o poder executivo e legislativo municipal são dias intensos, de uma movimentação monetária sem igual! Pra ser mais claro, são dias onde a circulação de dinheiro nos pobres municípios que ficam distantes da realidade de circulação dos demais dias “normais, sem eleição”.

 

Nestes dias normais, sem eleição, os municípios convivem diretamente com problemas ligados à essência humana, ligados à vida, como falta de água, seca, falta de alimentação, falta de moradia, desemprego, desigualdade, miséria, experiência cotidiana de viver na ou abaixo da linha de pobreza, degradação do ensino público, péssima saúde pública, entre outros, que não são solucionados, pois, segundo os políticos “falta dinheiro”.

 

Porém, em período eleitoral o comércio dinamiza, as pessoas começam a adquirir bens, dos mais pobres aos mais ricos, assegurando este desequilíbrio na qualidade e valor dos bens, sendo que os mais ricos ganham dinheiro para comprarem carros, e os mais pobres ganham dinheiro para pagarem contas de água e energia atrasadas, para comprarem comida, colchão, cama, remédios, roupas, celulares, etc.

 

Nestes dias que a política dissimulada empreende dinamismos maiores nos pobres municípios, Surgem empregos! A prefeitura incha! Parece um balcão de emprego, mas não de pessoas que prestarão serviços públicos, mas de pessoas que farão campanha, votarão e buscarão votos. Muitas vezes a atuação da manipulação é tão escancarada que a arma do emprego não sai de promessa. E o cidadão, já cotidianamente enganado, foi abertamente enganado! Vendeu-se por uma promessa!

 

Muitas vezes as pessoas falam, o problema é do cidadão, que é corrupto. Mas não é. A origem da corrupção do cidadão é a ignorância, e a perpetuação da ignorância é o fracasso da ação do Estado nas políticas educacionais. É verdade que esse tipo de postura do cidadão vem motivada por muitos outros fatores e a ignorância é também causadora de muitos destes fatores. A necessidade emergencial, a pobreza, a falta de perspectiva, a má índole, o desespero de viver sufocado em um meio que não colabora com a ascensão, entre outros. Mas o político tradicional que usa a política pra se manter no poder enriquecendo a si e à sua família ao invés de usá-la como um instrumento em nome da transformação social e do desenvolvimento coletivo, quer mesmo é que todo este quadro se mantenha para que ele continue no poder sem ter trabalho, sem produzir serviços e bens públicos. Seu único trabalho é manter um nível mínimo de serviço público para que a opinião pública se cale, disseminar este mínimo como “desenvolvimento” através de um gasto excessivo de marketing, e manter seu quadro de funcionários medíocres recebendo dinheiro, uns deles meras migalhas, outros uma grana viva!

 

Estes funcionários em período eleitoral entrarão em campo de novo, defendendo a manutenção daquela ordem com unhas e dentes, à caça, à procura de eleitores que queiram vender suas dignidades! E aí gira a ciranda da miséria e pobreza dos municípios. Uma ciranda que se alimenta da pobreza e principalmente da ignorância dos cidadãos.

 

O dinamismo eleitoral acabando, a vitória chegando, a realidade volta, mas os cidadãos não percebem... aquilo para eles foi um sonho, foi bom! Nem percebem que a realidade volta e no começo mais dura do que nunca, pois o período pós eleitoral é de escassez de dinheiro enorme, para que as dívidas incorridas no escuro dos empréstimos e da roubalheira sejam honradas. A partir de outubro do ano eleitoral, a escassez segue até... as proximidades das próximas eleições. Para o político, consciente de que é um abutre da miséria, sabe que terá que pagar algumas dívidas e daí buscar mais dinheiro para se manter no poder. Para os eleitores, felizes com o término eleitoral e seus ganhos advindos da política corrupta, saem sorrindo, felizes com os ganhos durante o processo, e lamentando o fato de que é uma pena não os outros dias cotidianos de suas vidas não serem como aqueles que precedem as eleições.

 

Se perguntarem sobre a razão de haver tamanha diferença entre os dias normais e aqueles que precedem as eleições, eles não se perguntam. Questionar o motivo de os políticos terem destruído a educação básica, os cursos profissionalizantes, sucateado as universidades públicas e proporem políticas educacionais ridículas, também não é questionado.

 

E assim a realidade seguirá. Sem perguntas reais/relevantes, mas com respostas falsas. Com a cegueira de uns manipulados contra a esperteza e olhos bem abertos de outros. Com a desfaçatez de uns encenando que fazem o bem contra aqueles acreditam e aplaudem o teatro de seu grupo. Com a ausência quase que absoluta de política pública, contra a presença enganadora do marketing. Com a ira dos membros dos grupos opostos por não se beneficiarem diretamente do gasto público, contra aqueles do grupo beneficiado que fingem acreditar que seu grupo faz o bem pra todos, mas sabendo que seu grupo é bom somente pra ele que é do grupo. E assim a realidade seguirá, e assim os municípios seguem, principalmente no Norte e Nordeste do Brasil, vivendo cotidianamente no atraso.

 

 

 

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O mercado da paternidade  escrito em sábado 15 novembro 2008 12:43

O que é a vida em sociedade alimentada pela cultura do capitalismo: tudo vira mercadoria. Isso foi dito no século XIX por Karl Marx e Friederic Engels, em um dos mais importantes trabalhos publicados para o desenvolvimento da vida em sociedade, intitulado “O manifesto do Partido Comunista”, mas poucos entenderam o significado.

 

A lei é o instrumento que dá legalidade ao processo de “mercadorização” das coisas. Incrível como a lei ajuda nos negócios da vida e só prejudica a busca por justiça social. Por morarmos no Brasil, tendemos a pensar que o problema está somente nas leis daqui. Sérgio Buarque de Holanda pensou o mesmo quando, refletindo sobre os países da América Latina e principalmente aqueles países de colonização portuguesa, foi categórico ao afirmar que as constituições foram feitas para serem corrompidas. Mas isso é geral, em todos os lugares, afinal, trata-se de um movimento silencioso do capitalismo que consiste na justiça se pôr a serviço da economia.

 

Nos Estados Unidos, por exemplo, país de colonização inglesa, e referência (para a maioria, não nosso caso) quando se trata de desenvolvimento da vida e de progresso, as leis são uma grande cadeia produtiva, envolvendo advogados, réu e vítima, além de juízes, promotores e oficiais (estes três últimos já beneficiados pelo poder público e muitas vezes entram na dinâmica da cadeia de forma diferente através de incentivos de corrupção). Por conta desta cadeia, qualquer descumprimento ínfimo da lei logo vira motivo de movimentar dinheiro. Danos materiais, danos morais, danos e mais danos e perdas e danos. Tudo isso, na verdade, objetivando ganhos em dinheiro. Danos morais? Não passa de grande pretexto! Afinal, a justiça não pode transparecer essa lógica de mercado a que serve senão perde a autoridade. Por isso, precisa de pretextos e direcionamento que induzam a crença de que, em todo processo a busca real é por justiça.

 

No Brasil o mercado que a justiça melhor organizou foi o da paternidade. Este não falha. Ainda ontem conversando com um amigo, um médico de grande visão sobre a vida em sociedade, peça rara e pai de um amigo meu, eu falava deste mercado e ele me deu um exemplo claro. Um cidadão, funcionário dele casou-se com uma mulher. Eles tiveram dois filhos. Ele ganhava um salário mínimo. De repente ela percebeu que a vida poderia ser mais divertida do que até então vinha sendo. Começou a buscar diversão e se separaram.  Hoje ela ganha pensão das filhas que, junto às bolsas do governo... obtém uma renda mensal superior a dele. Quem deu esta renda? A justiça! A justiça fez injustiça com o funcionário do meu amigo... que coisa impressionante!

 

Este é o mercado da paternidade, como bem chamou meu amigo. Um mercado que a justiça criou muito bem no Brasil (e em outros lugares do mundo). Este mercado da justiça funciona muito bem. Porém, seu funcionamento traz para o país um enorme problema de limitação do desenvolvimento. Não se trata de geração de renda. Tampouco de geração de renda decorrente do trabalho produtivo, de renda oriunda da geração de um produto ou serviço, que gera comercialização, circulação de dinheiro e demais dinâmicas econômicas que fazem um território se desenvolver.

 

Ao contrário, este mercado transfere renda de quem as gerou para quem está parado, apenas recebendo, sem produzir. Um mercado que tira de quem trabalha e dá a quem não trabalha. Isso é o que se pode chamar de política econômica às avessas!

 

Como conseqüência, esta política econômica de transferência de renda empreendida pela justiça na criação do mercado da paternidade, naturalmente estimula a maternidade e reprodução da praga humana. Imagine estes seres que já nascem de um contexto tão medíocre destes? Não que eles já estejam com seus futuros determinados pela mediocridade. Longe de mim. Mas que já nascem embebidos de uma energia negativa desencadeada por uma grande imbecilidade, uma energia de atraso e de andar pra trás, de pouca inteligência, baixo nível intelectual, de preguiça e ociosidade, de pobreza de espírito e material, isso não há como negar. E do mesmo modo não há como negar que isso tudo pesará negativamente na formação destes indivíduos enquanto seres em construção.

 

Mas o fato é que virou moda, que dizer, virou negócio engravidar, pois pensão, sem dúvidas, já está garantido receber! E isso acontece principalmente nos municípios onde os políticos não sabem o que fazer com o destino da sociedade que dirigem. Nos municípios que prevalece o assistencialismo, o clientelismo, a alimentação da pobreza em troca de voto, etc., é lá que este mercado é bem explorado. Meninas de 12 anos até os 25 estão a tentar esta pobre sorte.

 

Parece um conto. Será que este projeto de sociedade foi pensado pelos filósofos que ainda se preocupavam com a busca pelo mundo ideal? Claro que não. Platão por exemplo idealizou um papel por aptidão às pessoas, e que isso fosse estimulado no processo educativo. Porém, estes brilhantes pensadores jamais saberiam que o mundo descambaria para as infinitas trocas e “mercadorizações” das coisas. Jamais eles saberiam que as dinâmicas aqui estariam sempre induzida pelo sentimento de busca desesperada pela sobrevivência, em vez da busca pela construção de um mundo melhor. Não saberiam nunca que todas as estruturas que eles pensaram ajoelharam-se para servir a uma estrutura única que é a estrutura econômica, ainda que de forma tão dissimulada e bem encenada como o faz a estrutura jurídica.

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Eleições americanas e a pseudo mudança  escrito em quinta 06 novembro 2008 12:50

Não é possível que as pessoas sejam tão carentes assim, meu deus! Carentes de afeto, de interação, de perguntas, de alternativas, de conhecimento, de sexo, de canais de TV, etc. E este conjunto de déficits faz com que elas sejam cada uma, um rio de carência, as vezes com muita água, às vezes não, mas sempre com a água da carência.

Observando as pessoas nas ruas, sempre penso que a maior parte delas são papagaios que se deixam levar pelas notícias que conseguem captar, ora consciente ou inconscientemente.  O pior são as notícias que elas captam pelo subconsciente, as mensagens subliminares trazidas pela ambigüidade das palavras e das imagens.

As eleições americanas por exemplo refletem este contexto de papagaios que falam o que suas mentes captam. As ruas hoje amanheceram cheias de comentários. Amanhã serão mais ainda. Mas hoje já deu pra sentir o cume do clima que até então percebia-se: a idéia de que Obama é a salvação para os EUA, e conseqüentemente para o mundo.

Logicamente que merece credibilidade o show da equipe de trabalho de Obama, criando esta imagem dele para o mundo e acentuando por outro lado uma péssima imagem de Bush. Merece também credibilidade o fato de que os EUA ter eleito um Negro para presidente, quando já tivemos a triste experiência da Ku Klux Klan e demais desdobramentos racistas modernos. Sem dúvidas, percebe-se que a luta do movimento negro surtiu efeito sobre as crenças e concepções étnicas daquele povo.

Mas é só. O problema daquele país não poderá ser resolvido por Obama. Primeiro, pois ele não sabe que o que fará é um problema. Segundo que pela própria lógica de funcionamento territorial das coisas, ele estará a serviço de uma única nação e secundariamente das demais nações que lhes serão submissas, desde que isso seja interessante para os EUA.

O problema não está em Bush, em Obama ou em Macain. O problema esta na lógica de funcionamento das coisas - o sistema capitalista -, na disputa pela vanguarda - e os EUA são a vanguarda - e a defesa pelas posições e mercados – e os EUA precisam defenderem-se bem como aos seus séquitos.

A arma que eles usarão poderão ser diferentes, mas os efeitos serão os mesmos. Bush não ficou atrás máscara nenhuma e atacou com armas de fogo mesmo. Fez tudo correto para obter a aprovação da sociedade covil mundial: criou pretexto (terrorismo, Bin Laden, etc.), camuflou os objetivos (ganhos econômicos), simplificou a realidade (escondeu os ganhos do keynesianismo de Guerra), ganhou força interna pela cultura (identidade nacionalista) e assim está há quase 8 anos usurpando riqueza, matando gente e impondo cultura norte-americana aos povos que os odeiam.

A arma de Obama, qual será? Qual arma ele usará quando a potencia estiver ameaçada? Qual arma ele recorrerá quando o PIB americano tiver estagnado ou com projeções negativas? Armas monetárias? Ataques de câmbio? Ou seriam ataques na economia real, colocando à frente seus gladiadores, as indústrias de informática, farmacêutica e CIA?

Não se sabe como será a política de interação mundial dos EUA nessa nova gestão, na gestão do querido Obama. Mas uma coisa podemos ter certeza: a história da humanidade não mudará seu curso por causa das ações republicanas, por mais legal que Obama pareça ser, por mais mitológico que a mídia o pinte. Muita gente ainda estará a morrer de fome, de frio e de sede, sendo que existe recurso e produção para resolver estes problemas básicos da vida em sociedade. Muita gente ainda estará morrendo por péssimos atendimentos da saúde pública, sendo que mensalmente são direcionados fortunas para este setor. Muita gente ainda estará morrendo sem remédio, sendo que a cura já fora produzida pelos laboratórios. Muitos territórios ainda estarão sendo explorados, reproduzindo diariamente à força muita miséria. Muitas e muitas coisas... e quem é a vanguarda? E quem será o gestor da vanguarda? Mas o rapaz não será o bonzinho?

Abaixo os mitos! A vida continua e a potencia quererá ser sempre potencia. Se Obama não defender sua potencia ele será destituído do poder. E defendendo os interesses da potencia, ele inevitavelmente estará reproduzindo as injustiças sociais mundiais. Pra mim, pouco importa quem está no poder americano. Bom mesmo seria repensar a ordem mundial ao invés de ficarmos pensando quem é melhor, se a raposa ou o lobo.

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O que seria do mercado do futebol se não fosse a cegueira da paixão?  escrito em quinta 06 novembro 2008 06:45


Engraçado que o meu primeiro comentário aqui seja sobre futebol, a suposta paixão nacional, algo que cheguei a ter ojeriza há mais ou menos três anos atrás. Mas o motivo que me traz aqui a refletir sobre futebol é por ver que as coisas que criaram abuso em mim pelo futebol continuam a mil por hora, e principalmente quando se trata de um dos times que ajudou a TV Globo a criar este rótulo de que o brasileiro é apaixonado por futebol. Torço para um time que nada me deu de títulos. O Esporte Clube Jacuipense. Depois dele tenho uma enorme simpatia pelo Vitória e pelo Flamengo. Este último, a razão de eu está aqui a escrever, haja vista que no site oficial do clube os posts que criticam e tiram o véu da alienação nunca são aceitos.

Começo dizendo que a idéia de paixão já é por si mesma um grande problema. Como é uma pessoa apaixonada? Ela é cega. Defeito na pessoa por quem se está apaixonada? Ela não vê. Está aberta à qualquer influencia exercida pela pessoa por quem está apaixonada. Não aceita críticas à pessoa por quem se está apaixonada. Deseja veementemente está com a pessoa por que está apaixonada toda hora, o tempo todo. Uma verdadeira alienação a outrem!

Imaginemos então, a situação: o cidadão apaixonado por futebol. Ir ao estádio, comprar produtos do time, e principalmente (como a maioria dos apaixonados assistem aos jogos) sentar-se em frente a TV para ver seu timaço jogar. Considerando que a pessoa está apaixonada ou alienada, substituindo pelo sinônimo mais apropriado ao caso,  ela sem dúvidas nem sabe que por trás daquela paixão está rolando um sistema de interesses mercantis, de corrupção nos times (empresas), de abuso da imagem da mulher, de preconceito entre tantas outras mazelas, tudo isso para que a paixão seja alimentada e as cifras daqueles que manipulam cresçam gradativamente.

O Flamengo é um caso típico de paixão. Sempre tento postar a realidade lá no site oficial do clube, mas não aprovam meus posts. A última foi após o jogo entre Flamengo e Vitória. Eu sempre achei Maxi um péssimo jogador que quase nunca faz nada pelo clube e quando faz é na chamada “cagada”. Pura sorte. Contra o Vitória o caso irritou. Naquela partida eu torci para o Flamengo, pois o rubro-negro baiano já não tinha mais chances. O Flamengo tinha. Mas aí entra Maxi. Quem não é apaixonado por futebol viu: o cara não fez anda. Não deu seqüência em uma jogada e toda bola ele perdeu. Um ABSURDO!

Aí, se entrarmos no site oficial, a paixão nos provoca vômito: Parabéns é o mínimo que se lê. E não só pra ele, mas também para o presidente pelas contratações e demais asneiras! Uma piada. A cegueira, a tara pelo futebol não permite o torcedor ver que o péssimo gestor que é o presidente do clube vendeu os principais jogadores no meio do campeonato, quando o time era líder e o artilheiro era Marcinho, o atacante titular da época, que fora vendido junto ao armador Renato Augusto. Resultado? De lá pra cá o time vence quando a sorte impera e o atacante Maxi está com toda sua garra com o incrível rendimento de 3 gols em todo campeonato! O mesmo pode-se falar de Obina que só tem 5 gols até a última rodada (que foi a 33ª). Olha a troca que as vendas desequilibradas de rendimento e equilibrada fiscalmente fez: da liderança para o desespero de lutar para está no G4 e do artilheiro para os piores goleadores. Grande Braguinha!

Mas sabe o que é isso? Sabe por qual razão eles fazem isso? Pelo simples fato de os torcedores serem apaixonados! Cegos! Alienados! As manchetes que eles mais se consolam e se apegam são do tipo “jogou bem, mas faltou o gol”, ou ainda “o Flamengo AINDA pode ser campeão”.

A mídia é quem na verdade alimenta a paixão, pois é da audiência que eles vivem e por isso mentem descaradamente, manipulando a realidade. Se a paixão entre pessoas devem ser alimentados pelo prazer, pelo contato, pelos órgãos dos sentidos e genitálias aguçados e em contato, no caso do futebol a paixão deveria ser alimentada pelo retorno que é dado ao torcedor por parte do clube diante das expectativas de vitórias e títulos. Uma vez que os clubes não dêem este retorno (caso do Flamengo que desde 1992 não traz um título relevante, só ganhando o carioca pois os demais estão quase mortos, no mesmo nível baixo),  a paixão vai trazendo o sofrimento. Seria isso o correto, mas aí, como o sofrimento vai trazendo o desgosto e o desgosto vai trazendo a perda de audiência e a perda de audiência vai trazendo a perda de dinheiro, a mídia vem correndo para alimentar a paixão dos cegos e estes nem mesmo percebem que são na verdade objetos da paixão desenfreada pelo lucro que o mercado do futebol traz à mídia!

Ufa! Caiu algum véu? Espero que sim e que algum apaixonado possa voltar a ter olhos e despertar outros cegos, para que somente assim a gente tenha de novo o futebol bem jogado, bem pensado e trazendo emoções verdadeiras em oposição à emoção de mentira causada por manchetes bem elaboradas pelos jornalistas. Caso contrário, resta a mim, particularmente tri sofredor, solicitar que os dirigentes de Jacuipense, Vitória e Flamengo corram para ler o Freakonomics de Steven Levitt, para ver se assim eles conseguirão nos trazer retornos positivos pra alimentar o prazer de torcer, através de vitórias e títulos conquistados com trapaças.


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