Engraçado que o meu primeiro comentário aqui seja sobre futebol, a suposta paixão nacional, algo que cheguei a ter ojeriza há mais ou menos três anos atrás. Mas o motivo que me traz aqui a refletir sobre futebol é por ver que as coisas que criaram abuso em mim pelo futebol continuam a mil por hora, e principalmente quando se trata de um dos times que ajudou a TV Globo a criar este rótulo de que o brasileiro é apaixonado por futebol. Torço para um time que nada me deu de títulos. O Esporte Clube Jacuipense. Depois dele tenho uma enorme simpatia pelo Vitória e pelo Flamengo. Este último, a razão de eu está aqui a escrever, haja vista que no site oficial do clube os posts que criticam e tiram o véu da alienação nunca são aceitos.
Começo dizendo que a idéia de paixão já é por si mesma um grande problema. Como é uma pessoa apaixonada? Ela é cega. Defeito na pessoa por quem se está apaixonada? Ela não vê. Está aberta à qualquer influencia exercida pela pessoa por quem está apaixonada. Não aceita críticas à pessoa por quem se está apaixonada. Deseja veementemente está com a pessoa por que está apaixonada toda hora, o tempo todo. Uma verdadeira alienação a outrem!
Imaginemos então, a situação: o cidadão apaixonado por futebol. Ir ao estádio, comprar produtos do time, e principalmente (como a maioria dos apaixonados assistem aos jogos) sentar-se em frente a TV para ver seu timaço jogar. Considerando que a pessoa está apaixonada ou alienada, substituindo pelo sinônimo mais apropriado ao caso, ela sem dúvidas nem sabe que por trás daquela paixão está rolando um sistema de interesses mercantis, de corrupção nos times (empresas), de abuso da imagem da mulher, de preconceito entre tantas outras mazelas, tudo isso para que a paixão seja alimentada e as cifras daqueles que manipulam cresçam gradativamente.
O Flamengo é um caso típico de paixão. Sempre tento postar a realidade lá no site oficial do clube, mas não aprovam meus posts. A última foi após o jogo entre Flamengo e Vitória. Eu sempre achei Maxi um péssimo jogador que quase nunca faz nada pelo clube e quando faz é na chamada “cagada”. Pura sorte. Contra o Vitória o caso irritou. Naquela partida eu torci para o Flamengo, pois o rubro-negro baiano já não tinha mais chances. O Flamengo tinha. Mas aí entra Maxi. Quem não é apaixonado por futebol viu: o cara não fez anda. Não deu seqüência em uma jogada e toda bola ele perdeu. Um ABSURDO!
Aí, se entrarmos no site oficial, a paixão nos provoca vômito: Parabéns é o mínimo que se lê. E não só pra ele, mas também para o presidente pelas contratações e demais asneiras! Uma piada. A cegueira, a tara pelo futebol não permite o torcedor ver que o péssimo gestor que é o presidente do clube vendeu os principais jogadores no meio do campeonato, quando o time era líder e o artilheiro era Marcinho, o atacante titular da época, que fora vendido junto ao armador Renato Augusto. Resultado? De lá pra cá o time vence quando a sorte impera e o atacante Maxi está com toda sua garra com o incrível rendimento de 3 gols em todo campeonato! O mesmo pode-se falar de Obina que só tem 5 gols até a última rodada (que foi a 33ª). Olha a troca que as vendas desequilibradas de rendimento e equilibrada fiscalmente fez: da liderança para o desespero de lutar para está no G4 e do artilheiro para os piores goleadores. Grande Braguinha!
Mas sabe o que é isso? Sabe por qual razão eles fazem isso? Pelo simples fato de os torcedores serem apaixonados! Cegos! Alienados! As manchetes que eles mais se consolam e se apegam são do tipo “jogou bem, mas faltou o gol”, ou ainda “o Flamengo AINDA pode ser campeão”.
A mídia é quem na verdade alimenta a paixão, pois é da audiência que eles vivem e por isso mentem descaradamente, manipulando a realidade. Se a paixão entre pessoas devem ser alimentados pelo prazer, pelo contato, pelos órgãos dos sentidos e genitálias aguçados e em contato, no caso do futebol a paixão deveria ser alimentada pelo retorno que é dado ao torcedor por parte do clube diante das expectativas de vitórias e títulos. Uma vez que os clubes não dêem este retorno (caso do Flamengo que desde 1992 não traz um título relevante, só ganhando o carioca pois os demais estão quase mortos, no mesmo nível baixo), a paixão vai trazendo o sofrimento. Seria isso o correto, mas aí, como o sofrimento vai trazendo o desgosto e o desgosto vai trazendo a perda de audiência e a perda de audiência vai trazendo a perda de dinheiro, a mídia vem correndo para alimentar a paixão dos cegos e estes nem mesmo percebem que são na verdade objetos da paixão desenfreada pelo lucro que o mercado do futebol traz à mídia!
Ufa! Caiu algum véu? Espero que sim e que algum apaixonado possa voltar a ter olhos e despertar outros cegos, para que somente assim a gente tenha de novo o futebol bem jogado, bem pensado e trazendo emoções verdadeiras em oposição à emoção de mentira causada por manchetes bem elaboradas pelos jornalistas. Caso contrário, resta a mim, particularmente tri sofredor, solicitar que os dirigentes de Jacuipense, Vitória e Flamengo corram para ler o Freakonomics de Steven Levitt, para ver se assim eles conseguirão nos trazer retornos positivos pra alimentar o prazer de torcer, através de vitórias e títulos conquistados com trapaças.











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